Entenda as principais mudanças nas regras, estrutura de provas, distribuição das vagas e na forma de pontuação da prova da Transpetro
Quem está se preparando para o novo concurso da Transpetro precisa ficar atento às diferenças em relação ao processo seletivo realizado em 2023. Embora a estrutura da prova mantenha características semelhantes, o novo edital traz mudanças importantes que podem interferir diretamente na estratégia de preparação e na classificação dos candidatos.
Para facilitar a visualização, o Acelera Concurso reuniu os principais pontos que mudaram de uma seleção para outra.
Transpetro 2023 x Transpetro 2026: o que mudou?
1. Português e Matemática passam a valer pontos na classificação
Essa é uma das mudanças que mais merece atenção dos candidatos.
No processo seletivo de 2023, a prova de conhecimentos básicos era formada por 20 questões, sendo 10 de Língua Portuguesa e 10 de Matemática. Apesar de serem eliminatórias, essas disciplinas não determinavam diretamente a posição do candidato, ou seja, a classificação era feita considerando a pontuação obtida nos conhecimentos específicos.
No novo certame, a lógica muda.
As questões de conhecimentos básicos passam a compor a pontuação utilizada na classificação final. Na prática, isso significa que acertar Português e Matemática deixa de ser apenas uma condição para permanecer na disputa e passa a ser uma oportunidade de ganhar posições.
Não basta mais concentrar praticamente toda a preparação nas disciplinas específicas. Os conhecimentos básicos também podem fazer diferença na classificação.
2. A prova continua com 60 questões
Apesar da mudança na forma de pontuação, a estrutura da prova permanece semelhante à de 2023.
Serão:
- 20 questões de conhecimentos básicos;
- 40 questões de conhecimentos específicos;
- 60 questões no total;
- 4 horas de duração.
Ou seja, a principal mudança não está na quantidade de questões, mas na importância que os conhecimentos básicos passam a ter na classificação.
3. Menos polos de trabalho
Outra alteração importante está na distribuição geográfica.
No processo seletivo de 2023, o quadro de terra de nível médio/técnico era organizado em 10 polos de trabalho, distribuídos por diferentes estados. O edital de 2023 contemplava, entre outros, polos no Amazonas, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Pará, Rio Grande do Sul, Maranhão, Goiás e Minas Gerais.
No novo certame, a organização passa a trabalhar com quatro polos regionais.
Essa mudança merece atenção porque altera a forma como os candidatos devem analisar a concorrência. Com uma distribuição mais concentrada, o número de candidatos disputando determinadas localidades e ênfases pode influenciar diretamente a classificação.
4. Reserva de vagas: novo marco legal amplia ações afirmativas
Uma das mudanças mais expressivas entre os concursos de 2023 e 2026 está nas regras de reserva de vagas. O novo edital amplia o percentual destinado às ações afirmativas e incorpora categorias que não estavam contempladas na seleção anterior.
Em 2023, eram reservados 30% das vagas, sendo 10% para pessoas com deficiência (PcD) e 20% para candidatos negros. No certame de 2026, a reserva chega a 40%, distribuída entre PcD, pessoas negras, indígenas e quilombolas.
| Reserva de vagas | 2023 | 2026 |
| Pessoas com deficiência (PcD) | 10% | 10% |
| Pessoas negras | 20% | 25% |
| Pessoas indígenas | — | 3% |
| Pessoas quilombolas | — | 2% |
| Total | 30% | 40% |
A ampliação acompanha mudanças recentes na legislação. Para PcD, o edital de 2026 considera o Decreto nº 12.533/2025 e a Lei nº 15.176/2025. Para candidatos negros, a referência passa a ser a Lei nº 15.142/2025, que substituiu a legislação utilizada no processo seletivo anterior.
Mais modalidades de cotas
A principal diferença em relação a 2023 é a inclusão de pessoas indígenas e quilombolas entre os grupos contemplados pela reserva de vagas.
Com isso, o candidato deixa de concorrer apenas às listas de ampla concorrência, PcD e candidatos negros e passa a contar com cinco listas de classificação:
- ampla concorrência (AC);
- pessoas com deficiência (PcD);
- pessoas negras (PN);
- pessoas indígenas (PI);
- pessoas quilombolas (PQ).
Reserva passa a ser aplicada com menos vagas
Outra alteração está no momento em que a reserva de vagas deve ser aplicada.
No processo seletivo de 2023, a reserva imediata começava a partir de três vagas na ênfase. No edital de 2026, esse limite passa para duas vagas na ênfase.
Na prática, isso amplia a possibilidade de aplicação das ações afirmativas também em ênfases com um número menor de oportunidades.
Mudam também as etapas de verificação
Os procedimentos para comprovação do direito às vagas reservadas também foram modificados.
Para candidatos PcD, o modelo de 2023 previa avaliação presencial por equipe multiprofissional, com retenção do laudo original. Em 2026, a análise passa a ser inicialmente documental, podendo haver complementação presencial ou por telemedicina.
Também houve mudanças na verificação das cotas étnico-raciais. Para candidatos negros, permanece a confirmação da condição declarada, enquanto indígenas e quilombolas passam a contar com procedimentos documentais específicos para comprovação.
Sorteio de alocação das cotas é uma novidade
Outra diferença em relação ao concurso anterior é a previsão de sorteio para alocação das cotas. O procedimento não existia no processo seletivo de 2023.
No certame de 2026, o sorteio previsto no Edital nº 01/2026 foi realizado em 5 de agosto de 2026.
Candidatos cotistas terão garantia de habilitação
O edital de 2026 também estabelece uma regra inédita em relação ao concurso anterior: o item 1.4.4 determina que, em cada fase do processo seletivo, o número de candidatos habilitados que optaram pelas vagas reservadas deverá ser igual ou superior ao número de candidatos habilitados na ampla concorrência, observadas as regras do edital.
Essa mudança amplia a proteção aos candidatos que concorrem pelas ações afirmativas ao longo das diferentes fases da seleção.
Equiparação de gênero também é novidade
O novo processo seletivo traz ainda uma regra que não existia em 2023: a equiparação de gênero, prevista no item 7.1.3 do edital.
Caso as mulheres — incluindo travestis, transexuais e transgêneras femininas — representem menos de 50% dos candidatos classificados para a Fase 2 em determinada ênfase, polo ou modalidade, poderão ser convocadas candidatas adicionais para alcançar a equiparação.
Essas candidatas precisam atingir a Nota Mínima Necessária estabelecida para essa convocação. A regra não implica a eliminação de homens que já tenham alcançado a classificação.
Para o candidato: as mudanças nas cotas vão muito além do aumento do percentual de vagas. O edital de 2026 altera as categorias contempladas, o número mínimo de vagas para aplicação da reserva, as listas de classificação e os procedimentos de verificação. Por isso, quem pretende concorrer por uma modalidade de reserva deve ler atentamente as regras específicas da sua categoria antes de realizar a inscrição.
5. O que não mudou?
Nem tudo foi alterado. A estrutura básica da avaliação permanece próxima à observada em 2023. A prova continua sob responsabilidade da Fundação Cesgranrio, com 60 questões objetivas, sendo 20 de conhecimentos básicos e 40 de conhecimentos específicos.
A Transpetro também mantém a lógica de avaliação por conhecimentos básicos e específicos, mas o peso atribuído aos conteúdos básicos passa a ser diferente.
O histórico de 2023 é relevante justamente porque permite ao candidato entender como a banca estrutura suas provas para a companhia. A própria Transpetro mantém em seu portal os documentos e informações referentes ao processo seletivo de 2023.
6. O que muda na estratégia de estudos?
Para quem já vinha estudando com base no edital de 2023, a principal ponto é não abandonar os conhecimentos básicos.
Em 2023, havia uma margem para o candidato priorizar os conhecimentos específicos, já que eram eles que efetivamente determinavam a classificação, depois de cumpridos os critérios mínimos dos conhecimentos básicos.
Agora, com Português e Matemática também interferindo na pontuação classificatória, cada questão pode fazer diferença.
Na prática:
- Em 2023:
- Conhecimentos básicos: garantir o mínimo necessário.
- Conhecimentos específicos: foco principal para classificação.
- Em 2026:
- Conhecimentos básicos: garantir o mínimo e buscar pontuação.
- Conhecimentos específicos: continuam sendo fundamentais para conquistar uma boa classificação.
Afinal, o edital de 2026 ficou mais difícil?
Não é possível afirmar simplesmente que a prova ficou mais difícil. O que mudou, principalmente, foi a forma como o desempenho do candidato será convertido em classificação.
Para quem estudou com base no modelo de 2023, a adaptação mais importante é entender que Português e Matemática ganharam relevância. Ao mesmo tempo, os conhecimentos específicos continuam representando a maior parte da prova, com 40 das 60 questões.
A melhor estratégia agora é conhecer exatamente o novo edital, identificar as disciplinas cobradas e distribuir o tempo de estudo de acordo com o peso de cada conteúdo.





